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Processo Criativo

 Após duas semanas de escritura, interrompi diante da necessidade de concluir a burocracia em torno do professor titular. Saco!

Apenas vou retornar a escrever na segunda dia 22.

Meus planos eram de acabar por semana 3 a 4 minutos de música.

Mas, compor e trabalhar ao mesmo tempo e cuidar de crianças não é fácil...

Uma consequência disso é interrupção do tempo no computador criando e escrevendo.

Isso é bom e mau ao mesmo tempo. Por um lado, há uma desconexão entre referências sonoras, visuais, entre o que está sendo criado. Várias decisões colocadas são interrompidas em seu fluxo. Por outro, gera-se um distanciamento, uma interrupção, pois muitas vezes o que se escreve é um acúmulo de diversas coisas que depois podem ser melhor distribuídas. 

Isso se mostra mais evidente no tipo de metodologia aqui adotada. No lugar de escrever um roteiro primeiro ou de trabalhar em contato direto com aqueles que vão fazer o espetáculo, estou muito sozinho, isolado. Nesse entre-espaço, vou escrevendo ao mesmo tempo o que será cantado e as partes instrumentais. Tudo fica de fato mais lento. É mais complicado assim, meio amorfo, mas é a partir do que é proposto que as outras coisas vão sendo sugeridas. Ao mesmo tempo ficam um monte de surpresas para mim mesmo, que vou compondo e ao mesmo tempo sendo direcionado a compor por aquilo que vou pouco a pouco descobrindo. Eu sabia algumas coisas de antemão, algumas coisas que iriam acontecer. Mas quando escrevo e imagino e audiovisiono aquilo que era de antemão pensado vai sendo modificado. 

Até agora escrevi:

1- uma abertura instrumental já ligada ao contexto imediato da cena.

2- Uma primeira cena da médica, ela isolada.

3- a interrupção desse isolamento, quando da chegada das amigas.

4- para o público fica o mistério, e para mim a questão de como resolver como mostrar que elas são amigas. Até agora não dei nomes. E acho que assim vai ficar.  Penso em cada uma ter um momento pra contar sua história e também como se conheceram. Penso ainda em utilizar materiais de coros, pois elas cantavam em coros. Mas penso também em ritmos brasileiros, danças. 

As coisas estão surgindo.

Muito mudou quando ontem fui em um bar e ouvi um Dj tocando muitas músicas com ostinatos nos sons graves, o que adoro. Creio que é muito importante me valer disso.

Hoje voltei a estudar A Valquíria, de Wagner, para novamente ver as correlações entre a orquestra e o canto, e o canto que fala em Wagner. Na maioria das vezes o canto não é canção. Está preocupado em fazer ouvir o que está registrado nas palavras. Na orquestra, temos um grande movimento: clímaces interrompidos, motivos paralelos, etc. 

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